Há 50 anos, Ali se tornou uma lenda também fora dos ringues

Dia 3 se junho de 2017, a morte do boxeador Muhammad Ali completou um ano. Em homenagem ao maior pugilista da história, a ESPN Brasil realizou uma bela reportagem, com relatos de alguns brasileiros que têm Muhammad Ali como inspiração, incluindo o nosso vice-presidente, Ali El Zoghbi.

Muhammad Ali, o maior pugilista da história, morreu há um ano.

Mesmo longe dos holofotes devido ao avanço do Mal de Parkinson, o norte-americano deixou órfão os fãs de boxe que hoje não encontram esportistas carismáticos e midiáticos como ele assim o foi nas décadas de 1960 e 1970.

O seu legado dentro dos ringues é inquestionável, único, imutável. Há meio século, porém, Ali mudou de panteão ao se tornar uma lenda também fora do esporte.

Em 28 de abril de 1967, dono do título mundial nos pesos pesados e com nove defesas de cinturão bem-sucedidas, “The Greatest” se recusou a entrar no Exército dos Estados Unidos para lutar na Guerra do Vietnã (1955-1975).

Ele chegou a se apresentar a uma unidade do Exército em Houston, mas se recusou três vezes a dar um passo à frente quando seu nome foi chamado.

Ali citou razões religiosas (estava convertido ao Islamismo e já deixara para trás seu antigo nome, Cassius Clay) e políticas para tal iniciativa.

E uma frase sua entrou para a história.

“Por que eles deveriam me pedir para colocar um uniforme, ir a dez mil milhas de casa e atirar bombas e balas nas pessoas marrons no Vietnã enquanto as pessoas chamadas de ‘nigger’ em Louisville são tratadas como cachorros e negadas de direitos humanos básicos”, afirmou o pugilista, então com 25 anos.

Em 20 de junho de 1967, Ali foi condenado a cinco anos de prisão pela recusa a servir seu país na guerra e teve todos os cinturões de campeão mundial retirados.

Nenhuma comissão atlética dos EUA lhe deu permissão para lutar em seu solo.

Passaram-se três anos até Muhammad Ali voltar aos ringues, e foi no período forçosamente sabático que o mito cresceu. Afinal, quem àquela época tinha voz para defender negros, pobres e muçulmanos e ainda lutava contra o sistema?

O boxeador foi convocado para palestrar em diversas universidades e reunia multidões. Todos estavam ávidos para ouvir o que Ali tinha a dizer.

“É difícil imaginar que uma figura do esporte teria tanta influência política sobre tantas pessoas”, disse o ativista dos direitos humanos Julian Bond.

O efervescente movimento a favor da igualdade viu em Ali um porta-voz imenso.

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“Eu lembro que os professores do meu colegial não gostavam de Ali, porque ele era tão anti-establishment, e ele meio que tampava o nariz para as autoridades. O fato que ele se orgulhava por ser um homem negro e tinha tanto talento fez algumas pessoas pensarem que ele era perigoso. Mas, por essas várias razões, eu gostava dele”, disse Kareem Abdul-Jabbar, uma das maiores lendas da NBA.

Em 1971, a Corte Suprema dos Estados Unidos, por oito votos a zero, retirou a sentença de Muhammad Ali, que voltara a lutar um ano antes.

Apesar de ter perdido os anos de seu auge no boxe, ele retornou para ser novamente campeão mundial dos pesos pesados e ampliar seu legado.

Sua voz contra a desigualdade jamais foi calada.

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