Papa Francisco visita o Marrocos a convite do Rei Mohammed VI

No último final de semana o Papa Francisco fez uma visita oficial ao Marrocos. A visita foi promovida pelo rei Mohammed VI. Esse encontro histórico concedeu novos ares ao diálogo islâmico-cristão. O Reino de Marrocos tem sido historicamente consciente da importância deste diálogo; pois o falecido Rei Hassan II não acreditava na teoria do “confronto de civilizações” ou “choque de religiões”, e ao longo de sua vida defendeu em fóruns internacionais, discursos e principalmente em seus livros, o dever de coexistência e o diálogo entre os seguidores das religiões divinas. O Rei Mohammed VI recepcionou o Papa Francisco no aeroporto e seguiram para a histórica Mesquita Hassan, na capital marroquina em Rabat, onde durante o seu discurso na Praça Mesquita, o Papa pediu para que os crentes enfrentem o fanatismo e fundamentalismo com liberdade de consciência e liberdade religiosa. “A liberdade de consciência e a liberdade religiosa – não só a liberdade de culto, mas também a necessidade de permitir que todos vivam de acordo com suas convicções religiosas – estão intimamente ligadas à dignidade humana” acrescentou o Papa. Por sua vez, convocou o rei Mohammed VI em seu discurso para ressaltar a importância da religião e seu valor no campo da educação, considerando que não é através de ações militares ou dinheiro que o extremismo será confrontado, mas sim através da educação. No discurso feito em árabe, espanhol, inglês e francês o rei Mohammed VI disse: “Na qualidade de Comandantes dos Fiéis, vamos enaltecer a religião e recuperar o status que merece no campo da educação, e para enfrentar o extremismo em todas as suas formas, a solução não será militar nem financeira, mas sim educacional, defender a questão da educação é uma condenação à ignorância, pois a religião não é o que une os terroristas, o que os une é a ignorância pela religião”. Segundo as estatísticas oficiais, os discursos do papa e do rei Mohammed VI, foram acompanhados por cerca de 1,3 bilhão de muçulmanos e cristãos de todo o mundo, principalmente da América do Sul. A agenda incluiu ainda a visita do Papa junto ao Instituto Muhammad VI, na capital, criado pelo Rei do Marrocos em 2015 para treinar Imams e pregadores homens e mulheres. O Vaticano afirmou que foi a primeira vez que um papa do Vaticano visitou um instituto desse tipo. Batizado em homenagem ao rei, era frequentado por estudantes da África e da Europa. Um dos momentos mais importantes da visita foi a assinatura do “Chamado de Jerusalém” que visa preservar o caráter especial de Jerusalém como cidade de dimensão espiritual, multi-religiosa e de identidade única de Cidade Santa. O pedido foi assinado pelo Rei Mohammed VI, Presidente do Comitê de Jerusalém e Sua Santidade Papa Francisco. Cerca da metade dos quase 23 mil católicos do país compareceram à missa de domingo no estádio do príncipe Abdullah. A imigração também foi outro tema importante na agenda. O Vaticano diz que há cerca de 80.000 migrantes da África subsaariana, além de milhares de refugiados. As minorias religiosas no Marrocos – incluindo católicos, principalmente estrangeiros europeus, particularmente da França, e imigrantes da África Subsaariana – representam menos de 1% da população de 40 milhões do país. O Papa se deparou com condições humanitárias, sociais, econômicas e políticas difíceis. A visita também foi importante para relatar as relações entre os mundos islâmico e ocidental após os crescentes ataques contra mesquitas e muçulmanos nos países ocidentais, ressaltando o sangrento ataque que atingiu as mesquitas de Christchurch, na Nova Zelândia. Em fevereiro, o Papa visitou os Emirados Árabes Unidos, foi sua primeira visita a um país árabe e a primeira visita cristã à Península Arábica. Lá, o Papa assinou também um documento em prol da fraternidade humana com o Sheikh Ahmed al-Tayeb. Esse encontro teve como principal objetivo o diálogo entre as religiões e a disseminação dos valores da paz e da tolerância, além de ter grande significado simbólico, pois reúne dois grandes líderes, que são defensores proeminentes de diálogos inter-religiosos. Fonte: Vatican News

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