Participantes de O Mundo Islâmico aprendem sobre os conflitos no Oriente Médio na segunda palestra do dia
O segundo tema do quarto dia do curso O Mundo Islâmico foi ministrado pelo professor Hussein Kalout, pesquisador do Weatherhead Center for International Affairs da Universidade Harvard. Ele falou sobre um assunto muito aguardado pelos participantes: segurança, terrorismo e conflitos no Oriente Médio contemporâneo.
Kalout iniciou sua apresentação abordando a questão das organizações de resistência nacionalistas, terrorismo e mundo islâmico, com enfoque na conjuntura em que os grupos nacionalistas de corte religioso foram criados. Em seguida, falou sobre o impacto da Revolução Iraniana sobre a dinâmica regional, a Guerra Civil Libanesa, as Intifadas Palestinas, o surgimento do Hezbollah e do Hamas; os elementos catalizadores da Primavera Árabe e a ascensão dos partidos islâmicos; o movimento de Al-Takfiri’en e o surgimento do autodenominado Estado Islâmico. “É preciso entender que existem categorias e grupos de matiz islâmica: as fraternidades religiosas, os movimentos de resistência e as organizações terroristas – e elas são diferentes entre si”.
O professor explicou que as fraternidades religiosas, como Irmandade Muçulmana, a Al-Nahada e o Movimento Hizmet, são movimentos políticos, alguns resultantes do colonialismo europeu. Todos eles são sociais e não têm intenção armada. Os movimentos de resistência, por sua vez, não são apenas sociais, mas político-sociais. Eles nascem a partir de uma vertente religiosa, já que não acreditam que o Estado lhes oferece proteção, e podem ou não usar armas. São eles o Hamas e o Hezbollah. Já os grupos terroristas, como Estado Islâmico, Al-Qaeda, Al-Nusta, Ansar Al-Sharia e Boko Haram utilizam-se de força mercenária e armas. “O modus operandi de cada um destes grupos é diferente, eles possuem habitat social, condicionantes políticos e históricos e estrutura organizacional e institucional completamente diferentes”, comentou o professor.
As fraternidades religiosas, segundo Kalout, querem disseminar sua filosofia, proteger sua massa e manter ativa a rede clerical e projetos sociais aos quais pertencem. Já os movimentos de resistência buscam salvaguardar a defesa de sua identidade nacional, sua autodeterminação e sua existência como força sócio-política. “Ambos são legais e recebem ajuda de países externos, mas de maneira declarada”, falou.
Já os grupos terroristas sobrevivem de tráfico de armas, seres humanos e obras de arte, saques e usam da violência para legitimar-se. Podem, inclusive, receber ajuda estatal externa, mas de maneira não identificada. “Eles surgem pelo estado letárgico, em sociedades corruptas, com latente nível de clivagem sócio religiosa e instituições estatais disfuncionais e vulneráveis”, opinou.
Para fechar o denso tema, ele traçou uma importante análise comparativa entre os grupos armados de nuances islâmicas.